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Francisco
Alves Mendes Filho, o Chico Mendes, tinha completado 44 anos no
dia 15 de dezembro de 1988, uma semana antes de ter sido assassinado.
Acreano, nascido no seringal Porto Rico, em Xapuri, se tornou seringueiro
ainda criança, acompanhando seu pai.
Sua vida de líder sindical inicia com a fundação
do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, em 1975,
quando é escolhido para ser secretário geral. Em 1976,
participa ativamente das lutas dos seringueiros para impedir desmatamentos
através dos "empates". Organiza também várias
ações em defesa da posse da terra. Em 1977, participa
da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais
de Xapuri, além de ter sido eleito vereador pelo MDB à
Câmara Municipal local. Neste mesmo ano, Chico Mendes sofre
as primeiras ameaças de morte por parte dos fazendeiros,
ao mesmo tempo que começa a enfrentar vários problemas
com seu próprio partido, o MDB, que não era solidário
às suas lutas.
Em 1979, Chico Mendes transforma a Câmara Municipal
num grande foro de debates entre lideranças sindicais, populares
e religiosas, sendo por isso acusado de subversão e submetido
a duros interrogatórios. Em dezembro do mesmo ano Chico é
torturado secretamente. Sem ter apoio, não tem condições
de denunciar o fato.
Com o surgimento do Partido dos Trabalhadores, Chico
transforma-se num de seus fundadores e dirigente do Acre, participando
de comícios na região juntamente com Lula. Ainda em
1980, Chico Mendes é enquadrado na Lei de Segurança
Nacional, a pedido dos fazendeiros da região que procuravam
envolvê-lo no "justiçamento", promovido por
quarenta posseiros, de um fazendeiro que poderia estar envolvido
no assassinado de Wilson Pinheiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores
de Brasiléia.
No ano seguinte, Chico Mendes assume a direção
do Sindicato de Xapuri, do qual foi presidente até o momento
de sua morte. Nesse mesmo ano, Chico é acusado de incitar
posseiros à violência. Sendo julgado no Tribunal Militar
de Manaus, consegue livrar-se da prisão preventiva.
Nas eleições de novembro de 1982, Chico Mendes candidata-se
a deputado estadual pelo PT não conseguindo eleger-se. Dois
anos mais tarde é levado novamente a julgamento, sendo absolvido
por falta de provas.
Em outubro de 1985, lidera o 1º Encontro Nacional
dos Seringueiros ( CNS ), do qual torna-se a principal referência.
A partir de então, a luta dos seringueiros, sob liderança
de Chico Mendes, começa a ganhar repercussão nacional
e internacional, principalmente com o surgimento da proposta de
"União dos Povos da Floresta", que busca unir os
interesses de índios e seringueiros em defesa da floresta
amazônica propondo ainda a criação de reservas
extrativistas que preservem as áreas indígenas, e
própria floresta, ao mesmo tempo em que garantem a reforma
agrária desejada pelos seringueiros, marcado para março
de 1989, Chico deveria assumir a presidência do CNS.
Em 1987, Chico Mendes recebe a visita de alguns membros
da ONU, em Xapuri, onde puderam ver de perto a devastação
da floresta e a expulsão dos seringueiros causadas por projetos
financiados por bancos internacionais. Dois meses depois, Chico
Mendes levava estas denúncias ao Senado norte-americano e
à reunião de um banco financiador, o BID. Trinta dias
depois, os financiamentos aos projetos devastadores são suspensos
e Chico é acusado por fazendeiros e políticos de prejudicar
o "progresso do Estado do Acre. Meses depois, Chico Mendes
começa a receber vários prêmios e reconhecimentos,
nacionais e internacionais, como uma das pessoas que mais se destacaram
naquele ano em defesa da ecologia, como por exemplo o prêmio
"Global 500", oferecido pela própria ONU.
Durante o ano de 1988, Chico Mendes, cada vez mais ameaçado
e perseguido, principalmente por ações organizadas
após a instalação da UDR no Acre, continua
sua luta percorrendo várias regiões do Brasil, participando
de seminários, palestras e congressos, com o objetivo de
denunciar a ação predatória contra a floresta
e as ações violentas dos fazendeiros da região
contra os trabalhadores de Xapuri. Por outro lado, Chico participa
da realização de um grande sonho: a implantação
das primeiras reservas extrativistas criadas no Estado do Acre,
além de conseguir a desapropriação do Seringal
Cachoeira, de Darly Alves da Silva, em Xapuri.
A partir daí, agravam-se as ameaças de
morte, como o própria Chico chegou a denunciar várias
vezes, ao mesmo tempo em que deixava claro para as autoridades policiais
e governamentais que corria risco de vida e que necessitava de garantias,
chegando inclusive a apontar os nomes de seus prováveis assassinos.
No 3º Congresso Nacional da CUT, Chico Mendes volta
a denunciar esta situação, juntamente com a de vários
outros trabalhadores rurais de todas a partes do país. A
situação é a mesma, a violência criminosa
tem a mão da UDR de norte a Sul do Brasil. No mesmo Concut,
Chico Mendes defende a tese apresentada pelo Sindicato de Xapuri,
"Em Defesa dos Povos da Floresta", aprovada por aclamação
por cerca de 6 mil delegados presentes. Ao final do Congresso, ele
é eleito suplente da direção nacional da CUT.
Em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes é assassinado na
porta de sua casa. Chico era casado com Ilzamar Mendes e deixa dois
filhos, Sandino, de 2 anos, e Elenira, 4.
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